A transformação ou desenvolvimento energético de Moçambique não será determinado apenas pelos recursos que o país possui, mas também pelo talento que formos capazes de preparar, reconhecer e colocar no centro das oportunidades.
Falar do desenvolvimento de Moçambique é também falar da importância estratégica do sector energético. O País possui recursos e oportunidades que podem contribuir para o crescimento económico, para a expansão do acesso à energia, para a criação de emprego e para o desenvolvimento de novas actividades produtivas.
Mas nenhum sector se desenvolve apenas com recursos ou infra-estruturas. Desenvolve-se com pessoas, conhecimento, inovação e capacidade de transformar oportunidades em resultados. E é neste ponto que considero fundamental colocar uma questão: qual é o espaço que estamos a criar para as mulheres nesta transformação?
A resposta deve ser cada vez mais clara: um espaço de participação, liderança e contribuição efectiva.
As mulheres moçambicanas já fazem parte do sector energético. Estão na engenharia, na gestão, no direito, na investigação, na regulação, nas operações, na área ambiental, na tecnologia, no empreendedorismo e em várias outras áreas. São profissionais que diariamente contribuem para o funcionamento e para a evolução da indústria.
Valorizar esta presença não deve ser visto apenas como uma questão de representatividade. É, sobretudo, uma forma de ampliar o talento disponível e fortalecer a capacidade do país para responder aos desafios e oportunidades que o sector energético apresenta.
Preparar as mulheres para o futuro
O sector está a atravessar uma transformação marcada pela expansão das energias renováveis, digitalização, inovação tecnológica, eficiência energética e crescente atenção à sustentabilidade. Estas mudanças estão a criar novas competências e novas oportunidades profissionais.
Moçambique precisa de preparar os seus jovens para esta realidade.
E, dentro desse esforço, é fundamental incentivar mais raparigas e mulheres a escolherem áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, bem como outras disciplinas que integram a cadeia de valor da energia.
Precisamos também de fortalecer iniciativas de capacitação, mentoria e desenvolvimento de liderança.
Mais do que dizer às jovens que existem oportunidades, precisamos de mostrar-lhes mulheres que já estão a ocupá-las.
Uma engenheira, uma gestora, uma jurista, uma investigadora, uma técnica ou uma empreendedora pode tornar-se uma referência capaz de mudar a percepção de uma jovem sobre aquilo que é possível alcançar. É por isso que as histórias importam.
Dar visibilidade para criar referências
Quando uma mulher partilha o seu percurso profissional, os desafios que enfrentou, as escolhas que fez e aquilo que conseguiu construir, ela transmite conhecimento, mas também transmite confiança e possibilidade.
Esta é uma das convicções que orientam o She Powers Energy: criar espaço para que as mulheres do sector energético tenham voz, partilhem experiências e se tornem referências para outras mulheres.
Precisamos de aproximar as novas gerações das profissionais que já estão no terreno. Precisamos de criar pontes entre universidades e empresas, entre conhecimento e oportunidade, entre experiência e juventude. E precisamos de reconhecer quem já está a contribuir.
Uma agenda colectiva
O desenvolvimento do sector energético continuará a exigir a colaboração entre o Estado, empresas, academia, investidores, comunidades e profissionais de diferentes áreas.
Questões como a expansão do acesso à energia, o desenvolvimento de infra-estruturas, a sustentabilidade, a inovação e a formação de quadros exigem visão de longo prazo e cooperação.
Nesta construção, as mulheres devem estar presentes em todas as dimensões: na formação, na investigação, na gestão, na tomada de decisões, na implementação de projectos e na criação de soluções.
Não se trata de criar um espaço exclusivo para mulheres. Trata-se de garantir que todo o talento disponível no país possa contribuir para o desenvolvimento do sector.
Moçambique tem diante de si uma oportunidade importante para transformar o seu potencial energético em desenvolvimento. Para isso, precisamos de investir em conhecimento, talento e novas gerações.
E precisamos de garantir que as mulheres estejam no centro desse processo.
Elas já estão a contribuir para o sector. O próximo passo é criar ainda mais condições para que possam crescer, liderar e abrir caminho para outras.
Porque investir na participação das mulheres no sector energético é também investir na capacidade de Moçambique construir um futuro mais preparado, mais inovador e mais inclusivo.