A transição energética em África não será determinada apenas pelo investimento em infra-estruturas ou pela expansão das energias renováveis. O sucesso do processo dependerá, sobretudo, da capacidade do continente em desenvolver competências técnicas, promover a inclusão e garantir uma participação efectiva das mulheres em todos os níveis da cadeia de valor do sector energético.
Esta é uma das principais conclusões do artigo Powering Africa’s Future: Skills, Women and the Just Energy Transition, publicado pela Forbes Africa, que defende que a transformação energética africana deve ser acompanhada por uma estratégia robusta de formação profissional, inovação e valorização do capital humano.
Num contexto em que África procura simultaneamente expandir o acesso à energia, reduzir emissões e impulsionar o crescimento económico, especialistas alertam que a escassez de mão-de-obra qualificada poderá tornar-se um dos maiores entraves ao desenvolvimento de novos projectos de energias limpas. A resposta passa por reforçar o ensino técnico e profissional, actualizar currículos e criar programas de requalificação alinhados com as necessidades da nova economia energética.
O artigo sublinha igualmente que as mulheres devem ocupar um lugar central nesta transformação. Apesar dos avanços registados em alguns segmentos das energias renováveis, continuam sub-representadas em áreas técnicas, de engenharia, gestão e tomada de decisão. Promover a igualdade de oportunidades, eliminar barreiras de acesso e investir na formação de jovens profissionais são medidas consideradas essenciais para assegurar uma transição verdadeiramente inclusiva.
Mais do que uma questão de equidade, a inclusão feminina representa uma vantagem estratégica para o sector. Diversos estudos demonstram que equipas mais diversas estimulam a inovação, melhoram a qualidade das decisões e aumentam a capacidade das organizações responderem aos desafios tecnológicos e ambientais que caracterizam a nova economia da energia.
À medida que o continente acelera investimentos em energias renováveis, hidrogénio verde, redes inteligentes e electrificação, cresce também a necessidade de formar uma nova geração de profissionais preparados para responder às exigências do mercado. Neste cenário, investir simultaneamente em competências e na liderança feminina deixa de ser apenas uma prioridade social para se afirmar como uma condição indispensável para que África concretize uma transição energética justa, sustentável e capaz de gerar desenvolvimento económico duradouro.