Uma Transição Energética justa exige igualdade de oportunidades

Susana Gómez Muñoz

Susana Gómez Muñoz

Quando falamos de transição energética, pensamos frequentemente em centrais solares, parques eólicos, redes eléctricas modernas, industrialização verde ou mobilidade eléctrica. No entanto, a transição energética é muito mais do que uma transformação tecnológica. É também um veículo para promover a justiça social, melhorar a qualidade de vida das pessoas e assegurar que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades para beneficiar e participar na construção do futuro energético.

O acesso à energia moderna significa mais tempo para estudar, trabalhar ou desenvolver actividades produtivas, o que tem um impacto directo no acesso a melhores condições dos serviços de saúde, mais segurança, oportunidades de emprego e, em geral, melhores condições de vida.

Neste âmbito, a transição energética impacta significativamente na vida das mulheres através do acesso a soluções de cozinha limpa, pois reduz a exposição ao fumo doméstico, uma das principais causas de doenças respiratórias entre mulheres e crianças. Quando a energia chega às comunidades, os benefícios fazem-se sentir em toda a sociedade, mas têm frequentemente um impacto particularmente transformador na vida das mulheres.

Por essa razão, as mulheres não devem ser vistas apenas como beneficiárias da transição energética. Devem também ter a oportunidade de participar activamente na sua construção.

Contudo, os dados mostram que ainda existem desafios importantes. Segundo o estudo publicado pela UNESCO em 2024, as mulheres representam apenas 35% dos formados em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) a nível mundial. Nas áreas mais directamente ligadas ao sector energético, a representação é ainda menor, correspondendo a cerca de 28% dos formados em Engenharia e 30% dos formados em Tecnologias de Informação e Comunicação.

Em África, a situação apresenta sinais encorajadores. De acordo com uma análise da McKinsey citada pela Ecofin Agency, as mulheres representam cerca de 47% dos diplomados em áreas STEM no continente, uma das percentagens mais elevadas do mundo. No entanto, esta participação não se reflecte plenamente no mercado de trabalho, onde menos de 30% das posições de liderança são ocupadas por mulheres.

Moçambique enfrenta desafios semelhantes. À medida que o país avança na implementação da Estratégia de Transição Energética e promove o aumento da geração renovável, a modernização da rede eléctrica nacional, a mineração sustentável ou as fontes de mobilidade alternativas aos combustíveis tradicionais, crescerá também a procura por profissionais qualificados.

Engenheiros, técnicos, gestores de projecto, especialistas digitais, investigadores e empreendedores terão um papel central nesta transformação.

Garantir que raparigas e rapazes tenham acesso às mesmas oportunidades de educação, formação técnica e desenvolvimento profissional não é apenas uma questão de justiça social. É também uma condição para o desenvolvimento económico e para a competitividade do país. Nenhuma sociedade consegue atingir todo o seu potencial quando parte do seu talento permanece subaproveitado.

Uma transição energética verdadeiramente justa deve assegurar que os seus benefícios cheguem a todos e que todas as pessoas possam participar na sua construção. O futuro energético de Moçambique será mais forte, mais inovador e mais inclusivo se mulheres e homens tiverem as mesmas oportunidades para estudar, trabalhar, liderar e contribuir para a transformação energética do país.

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