Moçambique encontra-se diante de uma das maiores oportunidades transformacionais e vive um momento decisivo da sua história, num momento em que o mundo debate e decide sobre aspectos cruciais do futuro e sustentabilidade energética-sócio-económico: segurança/ transição energética, transição verde, minerais críticos, desenvolvimento sustentável e industrialização.
E o país dispõe de recursos energéticos estratégicos, desde o gás natural às hidroeléctricas, da energia solar aos minerais críticos, com enorme potencial para impulsionar a transformação e diversificação económica, fortalecer a industrialização e melhorar a qualidade de vida das populações.
Moçambique possui condições únicas para afirmar-se como uma referência energética regional e continental e até global. Mas existem questões fundamentais que são ignoradas, o quê/ como/ quando/ o que deve orientar esta transformação: quem estará no centro deste processo de desenvolvimento?
Durante muito tempo, o sector da energia foi visto como um espaço predominantemente técnico, institucional e masculino. Hoje, essa visão precisa de evoluir, é importante mudarmos essa narrativa, e olharmos para onde de facto se inicia o processo. A energia não começa nas centrais, nos projectos ou nas infraestruturas; E onde está ela nesta matriz?
A energia começa na mulher que acorda antes do nascer do sol para cozinhar com lenha; na jovem estudante que precisa de iluminação para continuar os estudos à noite; na empreendedora que necessita de electricidade para conservar produtos, expandir o seu pequeno negócio e gerar renda; na técnica que sobe postes de energia, na engenheira que lidera projectos, na gestora que participa da formulação de políticas públicas, na líder comunitária que mobiliza soluções /locais, na diplomata que constrói parcerias internacionais para o desenvolvimento energético.
Por tanto, a energia começa nas pessoas, nas comunidades, na necessidade de sobrevivência, por isso, falar da participação da mulher na energia não é apenas falar de inclusão, mas sim falar de desenvolvimento nacional, crescimento económico, sustentabilidade, é falar de futuro.
A energia no final acaba tendo uma componente humana intrínseca, onde a mulher está mais representada por conta da sua maior necessidade e impacto da ausência/ limitação do acesso desta energia para as suas tarefas cotidianas.
Promover a participação das mulheres no sector energético não é apenas uma questão de inclusão, mas também uma questão de desenvolvimento nacional, crescimento económico e justiça social.
A emergência climática, os compromissos ambientais globais e a necessidade de acelerar o acesso à energia limpa colocaram a transição energética no centro das decisões internacionais.
Os investimentos em energia criam oportunidades para a industrialização, geram emprego, fortalecem as cadeias de valor locais e contribuem para o bem-estar das comunidades.
Ao mesmo tempo, a transição energética representa um compromisso com a sustentabilidade ambiental e com as futuras gerações. Contudo, essa transição deve caminhar lado a lado com a valorização responsável dos recursos estratégicos que Moçambique possui e que podem acelerar o desenvolvimento económico e social do país.
O Papel da Mulher na Transformação Energética
As mulheres já fazem parte desta transformação embora em número bastante reduzido, elas estão presentes nas comunidades, nas empresas, nos centros de investigação, na diplomacia, na engenharia, na academia e nos espaços de decisão.
Ainda assim, é necessário ampliar a sua participação em áreas técnicas, científicas, industriais e de liderança. É igualmente essencial promover modelos de referência que inspirem meninas e jovens a acreditarem que também podem construir carreiras e liderar processos neste sector estratégico.
Quando mais mulheres participam das decisões, das operações e da inovação, o sector torna-se mais inclusivo, mais representativo e mais preparado para responder aos desafios do desenvolvimento.
O Impacto da Energia na Vida das Mulheres
Quando a energia chega a uma comunidade, a vida das mulheres é frequentemente a primeira a transformar-se: melhora o acesso aos serviços de saúde, aumenta a segurança e a mobilidade, ampliam-se as oportunidades de educação e capacitação, facilita a geração de rendimento, reduz o tempo dedicado a tarefas domésticas e cria espaço para actividades produtivas e empreendedoras.
Por isso, falar de energia é também falar de dignidade, autonomia e aumento de oportunidades.
Construindo o Futuro
Este espaço nasce com o propósito de amplificar vozes femininas, partilhar experiências, valorizar conquistas e promover um diálogo inclusivo sobre o presente e o futuro da energia em Moçambique.
Queremos mostrar que a energia não é apenas uma questão técnica ou económica, mas também uma questão social, cultural e humana.
O futuro energético de Moçambique será definido não apenas pelos recursos que possui, mas pela capacidade de transformá-los em desenvolvimento real para as pessoas, para as comunidades, sobretudo, as que vivem próximas dos projectos energéticos.
E esse futuro será mais justo, inclusivo e sustentável quando a voz da mulher estiver presente em todas as etapas da jornada, da comunidade à formulação da estratégia nacional do desenvolvimento desses recursos.